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Editorial
 
Editorial
Agora, novas e maiores lutas!
17:49, quinta-feira, 9 de Junho de 2011
Os eleitores foram chamados às urnas para escolher os 230 deputados à Assembleia da República e, em função da correlação de forças estabelecida, uma solução governativa para o País.
A escolha da maioria dos eleitores foi clara: o PSD e o PP, os partidos mais à direita do espectro parlamentar, obtiveram uma maioria absoluta de votos e mandatos e, assim, vão formar um governo de coligação, de acordo com a Constituição da República, a qual, aliás, se preparam para tentar liquidar.
O futuro governo Passos/Portas vai aplicar um programa aceite sem condições – a intervenção imposta pela «troika» FMI/UE/BCE – e conta com a simpatia do Presidente da República, Cavaco Silva, que apadrinha desde há muito esta solução. É a primeira vez, no Portugal de Abril, que a direita mais reaccionária consegue assegurar um presidente, uma maioria parlamentar e um governo.
A escolha maioritária dos eleitores, mesmo tendo em conta a elevada percentagem de abstencionistas (acima dos 41 por cento, um recorde em eleições legislativas) explica-se pelos seis anos de políticas de direita aplicadas pelo PS e que conduziram o País à beira do desastre. A maioria dos eleitores quis ver-se livre de Sócrates – que entretanto sai de cena pela porta pequena, abrindo espaço a uma nova liderança no seu partido – e votou na «alternativa», na «estabilidade política», cumprindo o rotativismo de raízes fundas em Portugal e nas «democracias ocidentais». Como resumiu Jerónimo de Sousa, ainda durante a campanha eleitoral, em linguagem que o povo entende bem, o PS andou a assar as castanhas, queimou os dedos e, depois, o PSD e o PP é que as comem…
Para além da vitória eleitoral da direita extremada com uma agenda ultraliberal oculta e da derrota do Partido Socialista nas eleições de 5 de Junho, sublinhe-se o resultado positivo da CDU (resistiu e cresceu, manteve todos os mandatos conquistados em 2009 e ganhou mais um, em Faro). E registe-se o recuo do Bloco de Esquerda (perdeu metade dos eleitores e dos deputados), cujos dirigentes vão certamente reflectir sobre os malefícios da arrogância e, sobretudo, das estapafúrdias alianças com «uma parte» do PS, alegadamente «de esquerda», como tentativa de atalhar caminho para o poder. Como se este PS fosse de Esquerda!
Já se sabe, a História do País ensina-o, que maioria política não significa maioria social, nem sequer «estabilidade». Muitos dos que agora votaram, iludidos, no PSD e no PP, e também no PS, compreenderão em breve que foram enganados, que caíram numa gigantesca fraude, já que o verdadeiro programa de governo foi escondido por Passos e Portas, com a ajuda e conivência dos media dominantes. A coligação de direita não vai resolver problema nenhum das pessoas ou do País. Vai, isso sim, prosseguir e aprofundar as políticas neoliberais de Sócrates – de destruição do aparelho produtivo nacional, dos serviços públicos, de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, da protecção social universal, do sector empresarial público, de crescente perda de soberania nacional –, com o consequente agravamento das condições sociais (mais desemprego, despedimentos facilitados, cortes na protecção social, nos salários, nas reformas e nas pensões, ataques contra os direitos laborais).
Encerrada a batalha eleitoral, vêm aí, pois, outros combates. À Esquerda, aos trabalhadores e às suas organizações políticas e sindicais cabe, agora, continuar e intensificar as lutas por políticas patrióticas e alternativas populares. Lutas, em breves palavras, em defesa dos ideais e das conquistas do 25 de Abril, gravemente ameaçados.
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