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| Editorial |
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| Editorial |
| Escândalo |
| 16:15, quinta-feira, 29 de Julho de 2010 |
José Soeiro, deputado do PCP, que foi a voz dos trabalhadores e das populações do distrito de Beja na Assembleia da República nos últimos cinco anos, vai deixar o parlamento, no quadro do processo de renovação dos eleitos comunistas. O parlamentar bejense fez esta semana um balanço do que foi este primeiro período da legislatura, entre Outubro de 2009 e Julho deste ano. É uma boa síntese: «A 1.ª sessão legislativa da XI Legislatura ficará na história pelos mais pesados e desnecessários sacrifícios impostos à generalidade dos portugueses, sobretudo aos que menos têm; pelo agravamento brutal do desemprego que atinge hoje cerca de 700 mil trabalhadores, entrando dramaticamente na casa dos dois dígitos; pela generalização da precariedade no emprego; pelo aprofundamento das medidas de desprotecção social; pelo encerramento de escolas, serviços de saúde e outros serviços essenciais; pelos milhares de falências de micro, pequenas e médias empresas e agricultores; pelo desinvestimento e estagnação da economia; pelo galopante crescimento da dívida externa. Tudo porque o Governo minoritário do PS, com a cumplicidade dos partidos da direita, PSD e CDS/PP, decidiu persistir no seu obsessivo combate ao défice e no seu famigerado PEC. Tudo porque o PS, de braço dado com o PSD e o CDS/PP, persistem em sacrificar todo um povo para salvar um sistema financeiro usurário, atolado em falcatruas, e em preservar os escandalosos lucros de meia dúzia de grandes grupos económicos e continuar a fechar os olhos aos chocantes rendimentos dos seus administradores de conveniência». Sobre esta questão – milhões para uns poucos à custa da exploração da maioria – o Partido Comunista Português considerou «um escândalo» os lucros obtidos por alguns dos maiores bancos nacionais e exigiu uma intervenção do Estado para impedir a «exploração», através da imposição de limites para os spreads e comissões bancárias. A partir dos mais recentes dados divulgados por três bancos nacionais, um dirigente comunista, Jorge Pires, classificou os lucros alcançados «verdadeiramente obscenos», porque obtidos num quadro de «profunda crise económica e social, em que o endividamento das famílias e das pequenas empresas já ultrapassa o rendimento disponível». «Grande parte destes lucros foram obtidos à custa da exploração dos utentes dos serviços bancários, através do recurso a práticas como o aumento dos spreads, das taxas de juro e das comissões bancárias», apontou. Esta situação só será solucionada com «a nacionalização da banca e com uma política pública de crédito de apoio ao desenvolvimento», considerou. Mas, como acções imediatas, entre outras medidas, «o Estado tem de impedir o aumento dos spreads e definir valores máximos para as comissões bancárias», sustentou, considerando o aumento dos lucros do BPI, BES e BCP no primeiro semestre «um verdadeiro escândalo nacional». É já hora que povo português exija aos sócrates e coelhos que expliquem por que é que governo e PSD aumentam a exploração dos trabalhadores – cortando nos salários e nas prestações sociais e aumentando impostos e bens essenciais –, ao mesmo tempo que favorecem os escandalosos lucros da banca e de outros grupos económicos.
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