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09:51, 06-09-2010
Medalha de ouro da cidade
Vendas Novas vai homenagear José Saramago

09:50, 06-09-2010
Jerónimo na Festa do «Avante!»
«Em todas as situações, a juventude, os trabalhadores, o povo e o País podem contar com o PCP»

11:40, 03-09-2010
Um artigo de Miguel Urbano Rodrigues
Governo PS participa activamente em guerras coloniais
 
 

António Murteira
Correia da Fonseca
Eugénio Rosa
João Honrado
Miguel Urbano Rodrigues
Varela Gomes
 
 
 
 
 
Editorial
 
Editorial
Do outro lado da barricada
16:35, quinta-feira, 8 de Julho de 2010
Ao longo de cinco anos, Sócrates e seu governo pôs em prática a política neoliberal que o capital impôs. Atacou os trabalhadores e protegeu os patrões. Criou mais desemprego. Congelou ou diminuiu salários, pensões e reformas dos trabalhadores. Subiu a idade da reforma. Aumentou impostos sobre os rendimentos do trabalho. Aprovou legislação contra os trabalhadores. Privatizou empresas públicas rentáveis, sectores estratégicos do Estado (e promete continuar). «Reformou» a Administração Pública (liquidou postos de trabalho, mandou trabalhadores para a «mobilidade», encerrou serviços públicos). Fechou escolas, maternidades, valências em centros de saúde, linhas-férreas, postos dos correios, quartéis da GNR. No plano da União Europeia, teceu loas aos tratados e às políticas que consagravam e aprofundavam o neoliberalismo. Com a «crise», agravou todas essas políticas antipopulares, impondo (em conluio aberto ou encapotado com o PSD e o PP) os PEC I e II, a mando de Bruxelas e do FMI. Tudo isto – num clima de corrupção envolvendo as elites governantes do País – favorecendo o enriquecimento e as negociatas dos grandes grupos económicos, dos especuladores, da banca e aumentando o fosso entre ricos e pobres.
Foi por isso que, nestes anos, os líderes do PSD, depois do breve equívoco de Santana Lopes – Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite – não medraram: o PS no governo fazia melhor o trabalho da direita.
Agora, a propósito da «golden share» que utilizou, e bem, num negócio em que a espanhola Telefónica tentou liquidar a PT, veio Sócrates, acossado pela subida do PSD nas sondagens, denunciar o ultraliberalismo da Comissão Europeia do amigo Durão Barroso e criticar os ataques de Passos Coelho contra o «estado social europeu» e a Constituição da República. No seu novo discurso de «esquerda», o líder do PS foi apoiado por alguns ideólogos do partido, desde o antigo secretário-geral Ferro Rodrigues, agora embaixador de Portugal na OCDE, até ao «malhador-mor» do reino, Augusto Santos Silva, antes encarregado da propaganda, agora ministro da Defesa.
Para esta gente, como a experiência do Portugal de Abril mostra bem, nunca é tarde para cambalhotas ideológicas – sobretudo ao cheiro de eleições antecipadas. Mas, convenhamos, é preciso ter desfaçatez para este Governo PS/Sócrates tentar, nesta altura, demarcar-se das políticas antipopulares responsáveis pela actual situação de desastre económico e social no País. O «arrependimento» é descarado e tardio.
A maioria dos trabalhadores, os democratas – aqueles que, de forma coerente, sempre denunciaram e condenaram as opções neoliberais e que nestes dias prosseguem nas ruas e praças o combate contra o desemprego e a precariedade, por mais e melhor empregos, salários, direitos, serviços públicos –, não se devem deixar enganar pelas manobras dos Sócrates, Passos Coelhos e Portas e as falsas querelas entre eles que visam apenas criar «alternativas» entre os senhores do poder. E compreenderem bem que, à parte uma ou outra questão de estilo ou de discurso, essa é gente que está toda do outro lado da barricada.
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