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| Editorial |
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| Editorial |
| Trapalhadas, arrufos e sondagens |
| 18:33, quinta-feira, 1 de Julho de 2010 |
O PS continua a reboque do PSD na governação de Portugal. Um diz «mata», outro diz «esfola». Na última trapalhada, relativa à cobrança de portagens nas scuts, Passos Coelho e seus rapazes chegaram a impor publicamente prazos e condições a José Sócrates e aos poucos fiéis que ainda não abandonaram o barco... E, claro, foram bem sucedidos. Os arrufos entre dirigentes dos dois partidos do bloco central de interesses que governa o País servem apenas para disfarçar uma aliança sólida quanto ao essencial e preparar desde já uma «alternativa» a esta governança, totalmente desacreditada. É o que confirmam as primeiras sondagens «sérias» entretanto surgidas, como a da Universidade Católica, que anuncia já a ultrapassagem dos socialistas pelos sociais‑democratas... É necessário que os democratas não se deixem enganar pelas manobras em curso, que vão sendo caucionadas pelo sistema mediático hegemónico. Na verdade, Sócrates e Coelho, cujas políticas têm recebido sempre a benção de Cavaco Silva, são farinha do mesmo saco. Quando os senhores do capital decidirem que o actual governo «socialista» já cumpriu a sua missão, depois de executarem políticas neoliberais que conduziram o País à actual situação ruinosa e de profundas desigualdades sociais (em 2009, Portugal «ganhou» mais 600 milionários com rendimentos acima de um milhão de euros!), tentarão substituí-lo por um outro do mesmo tipo, com novos rostos, para prosseguir e aprofundar o saque das riquezas nacionais e a exploração dos trabalhadores. Há pois que continuar a lutar e a resistir contra a ofensiva do capital, esteja ele vestido de cor-de-rosa ou de laranja, cujo único programa é, nesta etapa, rasgar a Constituição da República e liquidar os direitos dos trabalhadores. Programa esse, aliás, que os belmiros, amorins e ângelos correias – os grandes «ideólogos» atrás dos «novos» líderes do PSD – nem sequer escondem. Nos combates que aí vêm contra as desumanas políticas da direita, os trabalhadores portugueses não estão sós. Na Grécia – onde nas últimas semanas já houve seis greves gerais! –, em Espanha, na França, os povos resistem também...
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