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| Editorial |
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| Editorial |
| Saramago, um dos nossos |
| 16:37, quinta-feira, 24 de Junho de 2010 |
Aos 87 anos, morreu José Saramago, um dos maiores escritores de língua portuguesa e o único Nobel de Literatura do espaço lusófono. Teve as merecidas despedidas do povo a que pertencia – os pais camponeses eram muito pobres, estudou para serralheiro mecânico, foi funcionário público, jornalista e tradutor antes de se dedicar inteiramente à escrita –, povo que ele amou e que retratou como poucos na sua vasta obra. As entidades oficiais também homenagearam Saramago na hora da morte – muitas decerto com sinceridade, algumas só por formalidade e outras, ainda, como o Presidente da República, sem esconder o azedume que sempre sentiram pelo grande escritor, «apenas» porque se manteve comunista até ao fim dos seus dias. Queiram ou não esses senhoritos, os belos livros que o Nobel português escreveu – como Levantados do Chão, Memorial do Convento ou Ensaio sobre a Cegueira – continuarão a ser lidos. E haverá sempre, hoje e amanhã, quem continue a defender as ideias e as causas que foram também as de José Saramago.
No País, entretanto, as coisas vão cada vez pior, a governança do PS de José Sócrates está completamente desacreditada – tanto no interior do partido como no seio dos seus aliados do PSD só estão à espera do momento oportuno para o substituir – e o desnorte é total. Os resultados nefastos das políticas da direita atingem com força o Alentejo. Para além do desemprego, do aumento de impostos, do roubo de salários, a «crise» é pretexto na nossa região para que se reduzam ainda mais os serviços públicos – a suspensão de comboios, o encerramento de escolas, o fecho de valências em centros de saúde, até a desactivação de meios de socorro do INEM. No caso do anunciado encerramento de escolas do 1.º ciclo do ensino básico com menos de 21 alunos, no distrito de Beja, a novidade é que já não são só os sindicatos, as autarquias da CDU, os partidos da Esquerda que contestam e rejeitam a proposta governamental de criar «mega agrupamentos escolares», alegadamente por razões pedagógicas. Até mesmo municípios e freguesias de maioria socialista, pressionados pelas populações, consideram inaceitáveis os planos do Ministério da Educação, que, se concretizados, agravarão ainda mais a desertificação de uma parte do território nacional.
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