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| Editorial |
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| Editorial |
| As preocupações dos trabalhadores |
| 17:11, quinta-feira, 17 de Junho de 2010 |
A generalidade dos portugueses ficou «preocupada» com a exibição e o resultado da selecção nacional de futebol no jogo de estreia do Mundial da África do Sul. Cristiano Ronaldo, Deco, Simão e companhia – todos eles pagos a peso de ouro – não conseguiram mais do que um pálido empate sem golos frente à Costa do Marfim, muito menos cotada no ranking da FIFA, ainda que sendo uma das melhores selecções africanas da actualidade. A «esperança», agora, reside numa boa partida frente à Coreia do Norte, que decerto faz os mais velhos recordar um outro jogo, precisamente entre as selecções portuguesa e norte-coreana, num Mundial em Inglaterra, no distante ano de 1966... Mas, para além do futebol – um negócio de massas e um poderoso meio de desviar a atenção dos verdadeiros problemas –, as preocupações dos portugueses, pelo menos dos trabalhadores, que constituem a larga maioria da população, devem ser outras. Preocupemo-nos antes com as políticas do PS, agora entusiasticamente apoiadas pelo PSD, que nos últimos cinco anos de governação levaram milhares e milhares de pessoas ao desemprego, à precariedade, à pobreza. Hoje, José Sócrates, completamente desacreditado, está na fase final do seu mandato: cumpriu bem o que o capital lhe exigiu, destruindo o aparelho produtivo nacional, enfraquecendo o sector público, atacando os direitos laborais e sociais, submetendo cada vez mais o País aos ditames das classes dominantes e das potências europeias hegemónicas. Preocupemo-nos com os arrogantes líderes da direita mais extrema, o PSD e o PP/CDS, que esfregam as mãos de contentes com a «crise» – que tem servido para encher os bolsos da grande burguesia indígena, à custa da sobre-exploração da classe trabalhadora – e preparam-se, embalados pelas sondagens e pelos ventos do passado que sopram na Europa, para regressar ao governo, convencidos de que o PS já cumpriu, nesta etapa, a sua missão. São estas, pois, as grandes questões que devem preocupar hoje os trabalhadores: como resistir e travar as políticas da direita (postas em prática e defendidas pelo PS, PSD e PP), como lutar por alternativas democráticas que tragam mais desenvolvimento e justiça a Portugal.
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