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I Congresso Internacional de Promoção da Leitura, em Lisboa
«Um lugar imenso, talvez»
16:42, quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
A Biblioteca Municipal de Beja desenvolve, há muitos anos, um trabalho, muito meritório, de promoção para a leitura, amplamente conhecido pelos clubes de leitura, sessões de contos e pelas «Palavras Andarilhas». Mas desta vez, são os pais e filhos – e não os técnicos deste espaço – envolvidos na performance «Um lugar imenso, talvez» que levam as palavras e os sentimentos, que as leituras lhes transmitem, para fora das fronteiras da cidade, para os apresentar em Lisboa, hoje, quinta-feira, 22, na Fundação Calouste Gulbenkian, no I Congresso Internacional de Leitura: Formar leitores para ler o Mundo.

Ana Elias de Freitas

«Um lugar imenso, talvez» é um «espaço de partilha, libertador», como diz Maria João Macedo, uma das mães que participa neste projecto, ou «para terminar em grande as sessões de papa-livros da Biblioteca», de acordo com Joana Bigodinho, a filha. Independentemente das definições que possamos encontrar ou dar, o certo é que há três anos que cerca de 40 pessoas partilham na cave da Biblioteca Municipal de Beja «o hábito de fazerem da leitura partilhada um espaço de uma viagem comum». Destas, ficou um grupo de 24 – mães e filhos – que aceitou fazer com Gisela Cañamero um acto performativo onde apareça plasmado «o sentir comum desta experiência iniciática». O convite foi feito a Gisela Cañamero por parte da Casa da Leitura/FCG e o resultado do trabalho, iniciado em Outubro do ano passado, é apresentado hoje, 22, em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkiam, no I Congresso de Promoção de Leitura: Formar leitores para ler o Mundo. Cristina Taquelim, do Sector Infantil da Biblioteca Municipal de Beja, plantou-lhes o gosto pela leitura e pelos livros e Gisela Cañamero, da Arte Pública, trabalhou toda a parte dramática, poética e musical.

«Um lugar imenso, talvez»:
onde podemos voar...


O «Alentejo Popular» acompanhou o ensaio dos pais e filhos envolvidos no projecto e percebeu que todos eles, sem excepção, conseguiram ultrapassar o medo de não ser capazes e ouviu a Rita Rosa, de 10 anos, dizer «vim para aqui porque gosto de viver aventuras e faço de fada», a Mariana Cavalheiro, de 7 anos, explicar que «gosto de fazer teatro com as minhas amigas e por isso vim». Mas as explicações de como é participar nesta iniciativa vão mais longe, quando o Pedro afirma que «este é o espaço onde superamos os nossos medos» e leva-nos também a perceber que pessoas ditas «comuns», mas de grande riqueza interior, conseguem fazer «verdadeiros feitos». 
Na preparação deste acto performativo, Gisela Cañamero manuseou com o grupo, trabalhou também muitos livros e fez com que encontrasse a dimensão «do silêncio» das palavras, a tranquilidade interior, a ausência de fronteiras espaciais, a aceitação do desconhecido, do que é mistério. Nas palavras das mães, esta «é uma vivência que se adquire e que funciona como uma verdadeira terapia» (Maria João Macedo), um «desafio para o qual partimos sem saber exactamente o que esperar, principalmente para mim que nunca tinha estado num palco», como fez questão de frisar Ilda Carochinho.
Para a construção deste «espaço de evasão, de alegria, de paz interior», como refere Elisabete, Gisela Cañamero, da Arte Pública, cruzou «improvisações feitas, por exemplo, a partir da corporalização dos nomes próprios de cada um, com poemas de Eugénio de Andrade, de «A Arte da Guerra», de Sun Tzu, com poemas de Álvaro de Magalhães, e os poemas deste com derivações jogadas e brincadas de modo aleatório, azaroso, e, de novo, a sua reinterpretação corporal, à construção de textos, ao desenho de personagens fantásticos, à sua interpretação dramática».
«Um lugar imenso, talvez» é «divertido, mexemo-nos muito e eu gosto de livros e de histórias», conta o Vasco Macedo, de nove anos; «fazemos desenhos e o duende gira mundos», desvendou a Joana Macedo; ou, simplesmente, como escreve o José Matos, de nove anos, «gosto muito». São estas as palavras que vão ser transmitidas nesta quinta-feira, em Lisboa, mas para que tal aconteça em pleno foi preciso aceitar «o desafio» e deixar a «experiência de sensibilização para a leitura», que a Biblioteca Municipal de Beja proporcionou, «passar para a expressão dramática», como afirma Paula Ricardo.
Os citados neste texto têm, e também os que não são mencionados, entre seis e 48 anos de idade, são todos papa-livros, ou seja, pais e filhos participantes nos Clubes de Leitura de Beja e pessoas que nos fazem acreditar que existem espaços onde é possível elevar o espírito e reconciliar-se com a leitura. Esta é também a nossa definição de «Um lugar imenso, talvez», que esperamos poder ver em breve numa sala perto de nós...
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