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| Polémica em Évora |
| Museu do Design e do Artesanato avança este ano |
| 14:18, quinta-feira, 29 de Julho de 2010 |
A transformação do Centro de Artes Tradicionais (CAT) de Évora em Museu do Design e do Artesanato – «Colecção Paulo Parra» avança ainda este ano, apesar dos pareceres negativos de várias entidades culturais, anunciou hoje a Turismo do Alentejo. A criação do Museu do Design e do Artesanato é contestada pelos artesãos Tiago Cabeça e Magda Ventura, que defendem o não encerramento do Centro de Artes Tradicionais. Segundo os contestatários, a Direcção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA), a Comissão Municipal de Arte e Arqueologia e o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) já emitiram pareceres desfavoráveis à decisão da Turismo do Alentejo. Fruto de uma parceria entre a Turismo do Alentejo, a Câmara de Évora e o coleccionador Paulo Parra, o novo museu vai nascer, no próximo Outono, nas instalações do CAT, edifício localizado no centro histórico da cidade e onde actualmente está instalado o espólio de artesanato da Assembleia Distrital de Évora. O espaço, que foi visitado em 2009 por cerca de 7.500 pessoas, estava a perder turistas e a «morrer todos os dias», alegou o presidente da Turismo do Alentejo, adiantando que as três entidades decidiram criar o «primeiro museu de design e artesanato da Península Ibérica». «Ninguém vai acabar com o centro de artesanato», garantiu António Ceia da Silva, explicando que a ideia de avançar com um novo museu, juntando a componente do design, passa por «dignificar e dar outra mais-valia ao artesanato». Para o responsável, a conjugação entre o artesanato e o design vai permitir «construir em Évora um grande museu que possa ser reconhecido pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC)», atrair novos segmentos turísticos e internacionalizar os artesãos alentejanos. A adaptação do espaço vai obrigar a pequenas obras, no valor de 15 mil euros, suportadas pela Entidade Regional de Turismo, que incluem a criação de um espaço para as reservas, salas da direcção e de reuniões e uma biblioteca, com cerca de mil livros e revistas sobre artesanato e design. «Faz muito sentido estes dois acervos complementarem-se, aliás, para muitos estudiosos não há distinção entre design e artesanato», considerou o coleccionador Paulo Parra, que possui mais de 2.500 objectos de design industrial dos séculos XIX e XX. O também futuro director do Museu do Design e do Artesanato afiançou que a instalação de objectos de design no espaço vai levar a um aumento do número de visitantes, especialmente, os mais jovens. «A nível mundial, o design está com uma grande implementação e é uma das áreas que se vai expandir mais no século XXI», garantiu, adiantando que o projecto prevê a criação de uma rede internacional de museus de design e de artesanato e a realização de uma bienal sobre as duas temáticas. Além da internacionalização do museu, acrescentou, o novo espaço vai também apostar na criação de um centro de investigação, contando com uma equipa qualificada e em articulação com Universidade de Évora e outras instituições nacionais e internacionais.
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